sábado, 26 de março de 2011

Textos de Pedro Bial.

Mas se eu conseguir tirar um sorriso, um sorriso amarelo que seja na hora mais dura e brutal, se eu conseguir dizer que não acabou nem pra quem sai nem pra quem fica, se eu conseguir dizer que esse não é o fim do mundo e nem o fim do começo, se eu conseguir dizer que vou guardar comigo todos os nossos segredos, que eu não vou contar pra ninguém aqueles teus medos, não conte os meus, se eu conseguir mover montanhas, se eu conseguir surfar num tsuname, se eu conseguir fazer o mar virar sertão e o sertão virar mar, se eu conseguir dizer o que eu nunca vou conseguir dizer aí terá chegado o dia em que eu vou conseguir te mandar embora com alegria.


O medo surge sempre de um não saber, do desconhecido, do ignorado. O medo é a extrema ignorância em momento muito agudo. Quem diz que não tem medo pode, pode simplesmente, estar se pelando de medo do medo. O que pode ser duas vezes o medo, correr duas vezes perigo. Necessário, o medo é necessário, salva vidas. É preciso coragem para sentir medo. Bom, pode-se também ser valente, desafiar o medo, se fazer de herói, de graça, sem recompensa. Não ter medo de perder 1,5 milhão de reais que NÃO se tem, convenhamos, não é tão difícil. Difícil é não ter medo de perder o que se tem, o pouco ou muito pouco que se tem.


Nasce boneca, rostinho de porcelana, corpinho de pano. Da boneca, o pano vai se desgastando, rasgando, a porcelana racha, quebra a cara. Tenta se esconder achando que fuga é proteção, e de repente: Cadê a boneca que estava aqui? Fica sem graça ao perceber que não perde a graça trocando porcelana e pano por carne e osso, e aí já é tarde demais. Virou gente, e então fica tudo mais complexo, as coisas saem de controle. Aí diz uma coisa, repete, diz uma coisa, e nós aqui, vendo outra coisa. Contradição. Confusão. Como cantou Cazuza: Tuas ideias não correspondem aos fatos! E essa confusão grita aos olhos do público. Quem é você? Você sabe? O que você deseja? O que você faria se pudesse escolher, você sabe?
Pedro Bial



Bom, nem preciso dizer que eu A-D-O-R-O os textos dele, não é ? Pois é. *-*

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