terça-feira, 7 de dezembro de 2010

Já está na hora de ir embora, sem mim e sem você.

   Eu queria poder fugir. Arrumar minhas malas, sair pra fora e te avistar de longe, me esperando no carro. Correr antes que alguém me visse, pra ninguém me impedir. Íamos pra um lugar distante, que fosse só nosso. A unica paisagem que teria, seria a cor dos teus olhos, penetrando nos meus. O único cheiro que podia haver, seria o seu. A unica regra pra nós dois, seria que não podíamos sair um de perto do outro. A unica coisa pra nos julgar, seria as horas, que poderiam passar e passar, com pressa, sem se importar. Mais não ia fazer nenhuma diferença. O relógio podia desperdiçar horas, mais ficaríamos ali. Só eu e você. Ninguém pra nos julgar, nada pra nos impedir. Eu queria mesmo que esse sonho se realizasse. Que você percebesse que eu sempre tive aqui, te esperando. 
   Olho pela janela, você está no carro... Um pouco distante. A chuva começa a cair, percebo a preocupação em seu rosto, a pressa. Saiu de casa, correu até o carro, e te deu um beijo. Ela, que podia ser eu, está no meu lugar, e você foi sem mim... Mais uma vez. 
  As horas passam, mais agora devagar. Estão passando preguiçosas, insistindo em demorar. Sempre foi assim, mais agora passa ainda mais devagar. Agora eu percebo, que quando eu tinha você por perto, mesmo não sendo meu, com uma pequena possibilidade de eu poder te amar algum dia, era bem melhor do que não te ter nem do outro lado da rua, não poder te ver nem por mais um instante, sem nenhuma possibilidade de algo acontecer. Agora somos só eu e o relógio, ele andando sem pressa, e eu já achando que já fiquei demais por aqui. Já está na hora de ir embora, assim como você. Vou fazer literalmente como você fez. Vou ir sem mim, sem meu coração, por que embora eu vá, meu corpo e minha alma, serão sempre seus, e estarão sempre com você. 
   No vazio da noite, escuta-se um tiro. Ela morreu. Ele, carrega até hoje, o coração dela, sem nem saber.
Priscilla Martins


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